Duas pesquisas das Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) revelaram informações que não podem ser desprezadas: jovens brasileiros de 15 a 24 anos são alvos fáceis da violência porque não trabalham nem estudam. Alguns estados, como Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo e Amapá, além do Distrito Federal, lideraram o ranking de homicídios nessa faixa etária, em 2004. Outro estudo, sobre a situação socioeconomica da juventude brasileira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que há em nosso país 51 milhões de jovens de 15 e 29 anos, dos quais 66% estão fora das salas de aula. Os homens alegam que não estudam porque precisam trabalhar para ajudar no sustento da família; as mulheres, porque engravidaram. Do total, apenas 13% fazem curso superior e 31% deles são considerados miseráveis, pois possuem renda per capita inferior a meio salário mínimo mensal. Os levantamentos mostram claramente o quanto é grave a falta de investimentos em educação de qualidade. A economia com a educação sai muito caro. Provoca grave desemprego e aumenta a criminalidade. Em algumas capitais, como o Rio, a violência deixa marcas impossíveis de apagar. É preciso, portanto, oferecer os ensinos Básico, Fundamental e Médio com qualidade, para que jovens tenham oportunidade de inserção social. Não foi o que vimos nos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), também recentemente divulgados. Pelo contrário, o ensino público foi reprovado. O alarme soou com essas informações. Só não vê quem não quer.
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